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Em primeiro lugar quero deixar explícito que sou contra a redução da maioridade penal, por vários motivos. O principal é que a redução tampa o sol com peneira e não resolve os problemas sócio-educacionais que estão envolvidos no caso do menino João Hélio e de inúmeros outros acontecimentos. Concordo com o presidente Lula quando ele diz que se abaixarmos a idade penal para 16 anos, daqui um tempo esse número terá de ser reduzido para 15 e assim por diante. Irão me dizer que isso que proponho (desenvolvimento educacional, econômico e social) demoraria demais e, enquanto isso, a violência continuará a reinar no Brasil. Se fossemos partir deste pressuposto, para acabarmos com o problema da violência rapidamente, deveríamos implantar pena de morte e/ou exterminar com todos os pobres que seriam potencialmente os próximos assassinos, ladrões, etc., apesar de que muitos jovens de classe média também matam com selvageria, do mesmo jeito dos que mataram o menino.
A campanha que a grande imprensa faz a favor da maioridade penal é intensa. O ombudsman da Folha de São Paulo (Marcelo Beraba) escreveu em sua última coluna que: “Os jornais erram quando focam apenas os aspectos penal e carcerário e deixam de lado as políticas de segurança pública”. O questionamento dado ao tema “Segurança Pública” pela mídia, que voltou à tona por causa da morte de João Hélio, é muito superficial. Não é percebida uma análise fria e crítica às políticas de segurança pública, mas sim uma mudança rápida e ineficaz na legislação, a redução da maioridade penal. Outro fato ressaltado por Beraba foi a diferença notória no tratamento recebido pelo menor que matou João Hélio e, por exemplo, o menor de classe média que matou com amigos o Índio Galdino em 1997. Qual será a diferença que há entre os assassinos nos dois casos? A brutalidade no homicídio? Com certeza não. O Índio foi queimado quando dormia, e o menino foi arrastado por um carro. A idade? Não também, um dos garotos que matou o Índio tinha 16 anos. A distinção entre eles está na diferença de classe social dos assassinos.
A elite na época da morte do Índio não falou, em nenhum momento, sobre redução da maioridade penal. Precisa falar mais alguma coisa? Não! Mas vou falar.
A desigualdade sobressai ainda mais ao lembrarmos o caso de Liana Friedenbach, que foi morta durante uma viagem com o namorado para Embu-Guaçu. Me recordo que a Hebe, fez um programa com o pai da menina, o advogado rico, Ari Friedenbach que respondeu as inteligentíssimas perguntas da apresentadora. Alguém da mídia fez entrevista com algum parente do Índio Galdino? Não. As desculpas podem ser as mais criativas. Não só a Hebe, mas grande parte da imprensa tornou a falar sobre a maldita redução da maioridade penal. Ainda bem que não assisti ao programa da Hebe da semana da morte do menino.
criado por beitri
03:03:18